quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Por que a especulação imobiliária é injusta?


O que são terrenos de “engorda”?

São terrenos vagos que ficam aguardando valorização e melhorias em infra-estrutura (água, esgoto, energia, serviços públicos, escolas, equipamentos urbanos, condições de acessibilidade,abertura de vias, pavimentação, transporte, etc.).
Valorização sem que o proprietário do terreno,tenha contribuído em igual proporção com aqueles que ali moravam. Com exceção do IPTU, ou imposto rural (de valor irrisório), todas as conquistas de melhorias e valorização do lugar foram conseguidas pelos antigos moradores, mesmo aqueles camuflados e pagos pelas associações de moradores.
Muitas vezes, estes terrenos depois de valorizadosrecebem empreendimentos de grandes incorporadoras que aviltam o mercado local, propagandeando empregos, que na grande maioria das vezes são produzidos pelos pequenos construtores com a construção de suas casas e os empregos domésticos.
Se computarmos, os prejuízos da coletividade, com a piora da qualidade de vida pela perda da qualidade ambiental e esgotamento da infra estrutura instalada, a conta acaba sempre no vermelho para os que ali moram.

Um bom exemplo, na nossa região, é o caso do empreendimento Alphaville Granja Viana, os preços dos terrenos subiram sem que houvesse mudança qualitativa significativa no entorno. O loteamento foi “aprovado” em um bairro sem infra-estrutura, rede de esgoto, escolas e posto de saúde; com ruas inadequadas para o volume de trânsito, gerando lucro para poucos investidores e prejuízo para a grande maioria.

Isso acontece, porque o poder público planeja para a especulação imobiliária, desprezando planejamento anterior à ocupação. E pior, os instrumentos urbanísticos existentes que poderiam coibir os problemas criados pela especulação imobiliária como: Estatuto da Cidade, IPTU progressivo1 e Outorga onerosa2 do direito de construir, estão sendo aplicados pela velha prática do “jeitinho”, decorrente do nosso velho hábito de MACUNAIMA, arraigado na cultura brasileira.
Sem dúvida, a falta de planejamento público é a grande responsável, por sermos campeões em desigualdade social, com cidades feias, sujas e a serviço do mercado imobiliário.

Para mudar esta situação, será preciso, que cada cidadão, se sinta parte importante e tenha consciência que, mesmo as áreas verdes, utilizadas como marketing imobiliário, foram preservadas por aqueles que ali já estavam, quando estabeleceram um estilo de vida diferenciado.

As cidades mudam, é obvio, mas ninguém computa como investimento o esforço do cidadão
feito ao longo dos anos como parte importante na valorização das áreas vazias ou do bairro. Sendo assim, é razoável pensar que a coletividade precisa receber em troca os investimentos anteriores.

A pouca noção que a população tem do seu papel de investidor, diluído ao longo de anos, contribui para que o mercado tire vantagens sem contrapartidas, facilitando a cooptação política e uma infinidade de motivações egoístas que, sem escrúpulo, debocham da ética.

Em nome de um pragmatismo econômico unilateral destroem-se a biodiversidade, deterioram-se bairros e alteram profundamente o deslocamento das pessoas.

Apesar dos mecanismos da especulação imobiliária atuarem de diferentes formas no espaço urbano, para objetivar o lucro, é sempre o cidadão que contribui para a valorização, seja pela construção de sua casa, pela pressão que exerce junto ao poder público para conquistar melhorias ou pelo pagamento indireto de melhorias através das Associações de Moradores.

Nos ditos loteamentos fechados, os grandes, médios ou pequenos incorporadores, estabelecem, já nos contratos de compra e venda do lote a formação das “ASSOCIAÇÕES DE MORADORES”. Isto é: garantem a valorização dos lotes de “engorda” com melhorias promovidas pelos moradores, desprezando o conceito de cidade e cidadania.

Isto tudo, significa que: são sempre os moradores, ricos ou pobres, que arcam com a infraestrutura de uso coletivo propagandeadas nos folhetos de lançamentos imobiliários. Assim, não parece justo, que investidores do mercado especulativo recebam tratamento privilegiado, sem consultarem os investidores de direito, moradores.

Parece justo, considerar que todos que arcaram, ou ainda terão que arcar durante um bom período com os custos do transporte, construção de suas casas, organização, manutenção das ruas, preservação das áreas verdes, geração de empregos e segurança, em outras palavras, as melhorias de valorização sejam protagonistas e não meros coadjuvantes, peças para manipular e barganhar votos e poder, usando a massa gigante de pobres contra os grandes pagadores de impostos, a classe média.

Os que lutaram pelas melhorias e pela transformação urbana são expelidos do lugar, para que “outros” possam se apropriar de uma renda produzida coletivamente.

Se o modelo do mercado imobiliário e de políticas urbanísticas públicas fosse diferente,teríamos os espaços melhorados, a valorização e melhoria espaço urbano, de preservação cultural e ambiental, como resultado a melhora da qualidade de vida para todos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sucesso econômico e falta de saneamento.

Nas cidades brasileiras sobram esgotos nos rios, abunda crescimento desordenado e, há todo momento, nos deparamos com noticiário veiculado pela mídia de crescimento econômico, mas infelizmente sem o necessário investimento em saneamento básico.

De um lado crescimento com planejamento precário, do outro o desrespeito ao meio ambiente e ao saneamento ambiental.

A região Oeste e principalmente a região da Granja Viana está perdendo a característica de casas com quintais, jardins, frutas no pomar, da comida feita em casa e com a família reunida em torno de objetivos comuns.

Qual será o futuro da região? Quando, os milhares de novos moradores atraídos pelo encanto e a possibilidade de viver perto da natureza, sentirem a falta de ônibus, congestionamento, falta de água, esgoto, escola, hospital e emprego.

A verdade é que a especulação imobiliária e os construtores não se preocupam muito com esses detalhes.

Mas serão “esses detalhes” que poderão causar a falência do local.

Podemos prever que dentro de algumas décadas, a região estará repleta de edifícios e pouco ou nada restará da ocupação que marcou a região como refugio da cidade grande e local de curtir a natureza.

Isto está acontecendo, porque as autoridades não se interessam pelo patrimônio ambiental e cultural, preferem parcerias com especuladores e incentivam a exploração descontrolada de seu solo. Esquecem-se de que, por culpa da má administração, da ganância imobiliária, dos interesses inconfessáveis, sela o destino da região. Em nome do lucro especulativo, os donos do poder apagam a nossa identidade, liberdade, sossego e o direito de respirar. Os habitantes sem ânimo, sem força, são impelidos a sufocar a própria alma.

O raciocínio é simples, toda a população é vista meramente como pagadora de taxas e impostos, e não pode se manifestar, sendo tratada como radical e contra o “progresso”.

As pessoas que procuraram um lugar tranqüilo e sossegado para morar preferem ir embora, em busca de ambientes melhores.

Então, alguns começam a sentir que o desenvolvimento da região não é assim tão desenvolvimento.

Diante disto, podemos concluir que toda a região oeste está mudando, mas precisa de um processo de renovação urbana na sua estrutura que não comprometa a qualidade de vida e o respeito ambiental.

Se isto não ocorrer, o futuro será improvável, por mais que se alerte, está se perdendo o rumo ambiental, as prefeituras querem passar o trator em tudo para facilitar a especulação imobiliária. Se isso acontecer, estaremos mais uma vez vivenciando a ganância imobiliária, aliada à insensibilidade de governantes e políticos.

Sem generalizar, muitas facilidades foram “vendidas” para que empreendimentos imobiliários e empresas pudessem se instalar de forma e de maneira inadequadas.

O resultado de anos e anos desta prática deixou as cidades brasileiras com rios e córregos poluídos, cidades onde ainda o sistema antigo de fossas é comum, mesmo em Centros Comerciais como os da cidade de Cotia onde, postos de gasolina, shoppings e prédios, centros comerciais, produzem volume maior de esgotos com precários sistemas de tratamento de esgoto instalados; ameaçando a população com possíveis surtos de epidêmicos gerados por essa poluição (hepatite, cólera, intoxicação alimentar causada por metais pesados) ou ainda com o mau cheiro.

Quanto ao descarte de resíduos sólidos, a Lei Federal 12.305/10 surge como importante instrumento para minimizar os problemas ambientais.

Entretanto, a nova Lei, ainda precisa passar por regulamentações, por ora, falta o decreto, que segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará pronto em 90 dias contados a partir de 2 de agosto deste ano.

Somente depois deste decreto a lei poderá ser aplicada, todos nós devemos pressionar a imediata regulamentação da Lei 12.305/2010.

A nova Lei e, a preocupação ambiental está voltada para aqueles empresários que vislumbram lucros fora da destruição, comprometidos com a necessidade de salvaguardar o meio ambiente e aceitam desafios.

Desafios sempre foram para aqueles que enxergam oportunidades de negócios em sintonia com o futuro. Hoje e cada vez mais as atividades e diretrizes ambientais vêm sendo progressivamente e globalmente adotadas.

A região Oeste, e suas cidades Itapevi, Cotia, Vargem Grande Paulista, Jandira entre outras, precisam incentivar e implementar toda medida pioneira, merecedora de destaque quando o assunto é preservação e sustentabilidade.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Incêndio - Granja Carolina

Os incêndio na Granja Carolina, mostram que ela não aprende com o passado para respeitar o futuro das novas gerações, como propaga o folheto de marketing.

A fauna nativa sobrevivente, na Região Oeste de São Paulo, no próximo ano, infelizmente terá que enfrentar, mais uma vez gente acostumada a alcançar seus objetivos, sem culpa ou remorso, com excesso de razão e inexistência de emoção.


Conseqüências dos incêndios florestais para o meio ambiente

• Os incêndios florestais acarretam destruição da cobertura vegetal.

• Destruição de húmus e morte de microorganismos.

• Destruição de fauna silvestre, especialmente de animais jovens.

• Aumento de pragas no meio ambiente.

• Eliminação de algumas espécies de sementes em estado de latência.

• Debilitação de árvores jovens tornando-as suscetíveis a pragas e doenças.

• Perda de nutrientes e ressecamento do solo.

• Destruição de belezas cênicas naturais.

• Aceleração do processo de erosão e assoreamento de rios, lagos e lagoas.

Há anos as terras da Granja Carolina, pertencente a dois municípios, Cotia e Itapevi, ardem em chamas nos períodos de seca, entre os meses de junho a setembro. Assim, do Km 34 ao 36 da Rodovia Raposo Tavares, a paisagem do remanescente florestal de Mata Atlântica é sistematicamente alterado por incêndios que duram, muitas vezes, uma semana. Boletins de ocorrências e registros orais deste comportamento já foram incorporados a tradição local desde 1975.

O fogo e a fumaça empesteiam a paisagem por motivos diversos, e vão transformando a mata em pasto. O dolo, ato intencional de destruição ambiental,serve a especulação imobiliária.

Muitas e muitas vezes, o inferno em chamas da Granja Carolina, distante à apenas 30 minutos, é acompanhado de capangas com enormes facões a rondar a Estrada do Pau Furado, lembrando, e muito, a realidades violenta dos confins brasileiro.


terça-feira, 27 de julho de 2010

Quem Somos e para onde vamos.

Somos brasileiros com ginga e samba no pé.

Alguns sabem dançar, outros nem tanto, a grande maioria é simpática e amigável, sem medo de ser feliz.

Puxa tantas qualidades, mas onde estão os defeitos que também saltam aos olhos dos outros.

Temos uma enorme dificuldade de aceitar limites, esta falta de limites nos torna renitentes a normas e leis.

Como nesta cantinela alguns são mais iguais que outros, a injustiça rola solta, com música, ginga e samba.

Não importa olhar para frente, pois para frente só olha quem sabe de seus defeitos e quer melhorar.

Sempre olhamos para trás, repetindo erros, arranjando desculpas para continuarmos sem limites.

Neste ritmo, alguns enxugam gelo e desanimam, pois vêem diariamente o errado parecer certo e o certo parecer errado.

Dificuldades de criança de jardim da infância, pois as regras são importantes para a convivência, claro que sem exagero para não perderemos a ginga e nem o samba.

Deve ser por este motivo que somos também um país individualista, não moramos em nenhum bairro, em nenhuma cidade e sempre achamos que o lado de lá é melhor que o daqui.

Brasileiros e Brasileiras, precisamos fazer um esforço coletivo para sairmos da primeira infância e entender que está surgindo a era do planeta.

Somos competentes, criativos e alegres, mas precisamos deixar de: cada um sair defendendo o seu, sem avaliar as conseqüências, fazendo valer a vontade da criança mais birrenta.

Estamos na iminência de vivermos a máxima de birra polarizadora com a alteração do Código Florestal e negarmos os necessários desafios de alterações de paradigmas em prol da melhoria e transformações qualitativas da produção agrícola brasileira.

Neste absurdo serve desqualificar entidades e pareceres competentes de brasileiros que contribuem para a melhoria do futuro e não repetir o passado.

São pareceres de cientistas e promotores do Ministério Público, especialistas na defesa do patrimônio coletivo, bem da sociedade.

O Conselho Nacional dos Procuradores Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG) emitiu parecer desfavorável as alterações propostas no Código Florestal:

Para o CNPG, o debate está “polarizado entre agricultura versus meio ambiente” quando, na verdade, deveria propor políticas públicas que garantam o equilíbrio entre o meio ambiente e a agricultura.

Os projetos questionados pelo CNPG buscam mudanças profundas no Código Florestal, na lei de Crimes Ambientais e na lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Dentre as principais alterações, estão a redução da porcentagem das áreas de reserva legal, de preservação permanente (como as matas ciliares); a flexibilização do uso da reserva legal; o perdão de dívidas ambientais e a regionalização da fiscalização e do controle ambiental, que passariam para municípios e estados. No entendimento do Ministério Público, as propostas pretendem unicamente desfigurar o Código Florestal em detrimento de interesses de determinados grupos econômicos. “As mudanças contrariam totalmente a noção de sustentabilidade, do meio ambiente ecologicamente equilibrado como base de sustentação para a agricultura”, diz o presidente do CNPG, procurador-geral de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto, do Ministério Público do Paraná. “Considerando o cenário nacional e internacional, em que se discute maior proteção e reversão dos cenários críticos de devastação, não há como se permitir a alteração da legislação com vistas à diminuição da proteção”, afirma.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção do Meio Ambiente do Paraná, procurador de Justiça Saint-Clair Honorato Santos – representante do Ministério Público brasileiro no Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA – afirma que, além de implicar em prejuízo direto para a questão ambiental e para o desenvolvimento de programas de agricultura sustentável, a aprovação dos projetos questionados pelo CNPG deve resultar em problemas sérios para as cidades. “A preservação das matas ciliares e das áreas de encostas de morros está diretamente ligada à questão do zoneamento urbano. Já enfrentamos hoje enchentes e desabamentos pela ocupação irregular nesses sistemas. Se esses projetos de lei forem aprovados, o volume de tragédias nesse sentido poderá aumentar”, diz Saint-Clair.

O procurador também é um dos autores da nota técnica que serviu de base para a moção do CNPG. No documento, que segue em anexo, estão elencadas todas as consequências negativas que a aprovação das PECs deve representar para o meio ambiente, agricultura, centros urbanos, para a saúde e o bem estar da população. A nota também foi elaborada pela promotora de Justiça Sheila Cavalcante Pitombeira, presidente do Conselho Nacional dos Centros de Apoio Operacional de Urbanismo e Meio Ambiente (CONCAUMA), órgão colegiado que reúne os Centros de Apoio Operacionais de Urbanismo e Meio Ambiente do Ministério Público Estadual Brasileiro para promoção de ações de defesa e de preservação do meio ambiente e urbanismo. “

Fonte: http://www.cnpg.org.br

Mesmo assim, nossos ilustres birrentos continuam a se jogar no chão, vamos esperar para depois das eleições e saber se mais uma vez vamos deixar o errado ser certo e o certo ser errado.


domingo, 18 de julho de 2010

ACORDE BRASIL

A destruição ambiental, prevista na hecatombe que ocorrerá, com a aprovação da proposta para o novo código florestal, só vai aprofundar o cenário do ter sobre o ser, quando um homem domina o outro por meio do conhecimento dos métodos de convencimento como os poderosos meios de comunicação.

Para assumir uma posição legítima, a propaganda, o marketing e outras ferramentas de venda de imagens e idéias, são usadas de forma direta ou indireta, para impingir os desejos e escamotear interesses de grupos ou indivíduos.

A produção direcionada, feita sob encomenda, de uma maneira geral, se afasta da qualidade cultural, da crítica e do conteúdo, e se aproxima da falta de reflexão e objetiva cada vez mais uma população acomodada e menos preparada para administrar seus desejos.

Ser rico e famoso tem enorme sentido simbólico na sociedade, através dele, consegue-se poder e visibilidade perante a sociedade e se faz a conexão entre os ideais dos dominantes.

A visibilidade proporcionada pela propaganda, abre as portas para o poder simbólico do dinheiro, necessário para a manipulação dos pensamentos individuais e coletivos.

Possuir acesso a mídia é se transformar em próprio capital, ainda que não se deseje ser proprietário do meio de comunicação, políticos, “artistas” e atletas conhecem as conseqüências deste poder.

Na sociedade brasileira, figuras que deveriam cuidar do bem comum e serem referencia e modelo para honestidade e pela preservação da moral, fazem infelizmente o contrário, dominados pelo poder econômico cedem suas imagens em detrimento da ética, do conviver coletivo e da qualidade de vida.

Enfim, estamos nos deixando domesticar e aceitamos as coisas como nos impõem, não enxergarmos como poderiam ser e a cada dia estamos nos tornando em seres impotentes para defender nossos sonhos interiores.

A falta de julgamento facilita o acesso à novidade, disfarçando conteúdos e objetivos únicos fazendo-os sempre parecerem diferentes, de forma a deixar o consumidor satisfeito. Você agora só vale por aquilo que compra ou pode comprar, para isto o Marketing surge como instrumento para atender aos seus desejos. Ser rico e famoso, ter objetos e aparência que dificultem o julgamento objetivo.

O Marketing é a ferramenta para adaptar tudo a uma “realidade fabricada” para alargar o poder do produto redesenhado, dificultando o reconhecimento real de maneira a facilitar o convencimento.

Neste jogo de poder do objeto, vale enaltecer a própria imagem, porém também o de desfigurar a imagem do adversário, assim:

Mata-se a boa música, o bom livro, a boa exposição, os bons artistas e o meio ambiente.

Gente acorda?

Está na hora de ler um bom livro, assistir a um bom filme, ir a boas exposições e dar espaço para bons atores fazerem bons espetáculos, e deixar de fazer só o que o marketing manda.

Educação é uma ação emergencial, mas a cultura é preventiva e a arte fundamental, sob a influência do marketing, a ciência controladora da vontade, a sociedade atrofiou o prazer de existir, estimulada pela utopia do possuir.

O absurdo modelo aprofunda a criminalidade e delinqüência da maioria da população carente brasileira, com famílias em frangalhos, escolas públicas abandonadas, estado falho e a destruição cultural.

Podemos imaginar como será o Brasil após a modificação do Código Florestal?

Claro, se a índole destruidora dos defensores da manutenção do modelo de exploração da natureza se confirmar após o breve descanso do período eleitoral.

Mas tal não acontecerá se, como esperam todos aqueles que querem colaborar com o processo de depuração global ora em andamento, ficarem atentos aos candidatos de ficha limpa de toda a espécie, começando pela ambiental até a ficha criminal.

Os ambientalistas deixaram de lado sua linguagem ingênua, mas o resto do mundo não. Dos cantos do mundo todos convergiram para o Marketing, com expressões de “desenvolvimento” de “ecologia” e “turismo”.

Ora, sejamos objetivos, sejamos honestos. O mundo implodirá de vez se forem mantidas as portas fechadas para alteração deste modelo de sociedade de consumo e são poucas as pessoas empenhadas em entender o imenso campo minado em que se transformou o planeta em todos às áreas para atender a um único objetivo: O do Mercado.

Os esforços feitos até agora para reduzir o perigo, só fizeram baixar um pouco o patamar da velocidade de destruição.

Nada, além disso.

A indiferença e o aperfeiçoamento do arsenal de destruição, com absoluta nitidez passa pela destruição ambiental e destruição cultural.

Mais uma vez, a sociedade brasileira colherá o que semear.

Se deixarmos esta discussão para depois das eleições, corremos o risco de termos “representantes” que podem aumentar a destruição e mais uma vez enveredaremos pelos caminhos sem volta, como já o fizemos em outros momentos da nossa história.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Um NEANDERTAL entre nós e o Código Florestal

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Embora a seleção artificial seja considerada um mecanismo de evolução, promovida pelo homem, numa seleção direcionada através da genética, objetivando determinados resultados para a variação de “linhagens”, os biólogos diferenciam "linhagem" de "raça"; atribuindo à linhagem o resultado da seleção artificial e à raça os resultados da seleção natural.

Esta diferenciação se justifica pelo fato da raça, incorporar características bastante heterogêneas além de fatores geográficos; já as linhagens, devido aos processos seletivos provocados pelo homem, objetivam resultados homogêneos.

Se, observarmos a evolução natural dos hominídeos modernos, somos o resultado de padrões impressos no DNA e comportamentais adquiridos. Os padrões comportamentais são advindos do sistema cultural, de produção de alimento e geração de energia, passados de geração a geração através do comportamento apreendido determinado pela seleção natural.

As informações hereditárias, segundo pesquisas recentes, seriam uma contribuição da natureza (genes) e de aprendizado (cultural); entretanto, os fatores culturais seriam capazes de provocar variações na leitura do gene sem modificar o código de DNA.

O padrão codificado por um determinado gene, possuiria controles similares aos das imagens de TV: alteração de brilho, cor, intensidade ou contraste. Estudos de síntese de proteínas revelaram que, pode-se criar mais de duas mil variações de proteínas a partir de um mesmo padrão genético.

Com isto, os estudos atuais, repudiam o determinismo genético, crença de que os genes determinam os fenótipos físicos e comportamentais, embora seja bem estabelecido que a maior parte da variabilidade fenotípica seja fortemente influenciada por genes, é evidente que o ambiente também desempenha um papel importante.

Podemos refletir então para alem das verdades do nosso DNA, passado por meio dos genes, e afirmar que podemos controlar nosso destino, o DNA está sujeito a alterações do meio ambiente e somos influenciados por ele.

As mais recentes investigações do genoma do hominídeo NEANDERTAL, uma forma humana que morreu há cerca de 30.000 anos, indicam que suas marcas foram deixadas no genoma de alguns seres humanos modernos.

O HOMEM de NEANDERTAL teria sido um caçador puro que cruzou com os homens modernos. Estudos comparativos, da seqüência genética entre o hominídeo extinto e os atuais permitiram descobrir onde estes se diferenciam e onde se aproximam do homem atual.
[1]

Segundo os cálculos dos pesquisadores, entre um e quatro por cento do DNA de muitos seres humanos que vivem hoje é originária do NEANDERTAL, pois coabitaram o mesmo espaço, onde hoje fica a atual Europa.

Para efeitos de análise, os pesquisadores também seqüenciaram os atuais genomas humanos da Europa, Ásia e África, e os compararam com os do NEANDERTAL. Curiosamente descobriram que: os NEANDERTAIS demonstram possuir uma relação maior com os Homens modernos.

Logo, somos resultado do cruzamento do NEANDERTAL e HOMO SAPIENS, o que nos força a refletir sobre a extinção do primeiro, num momento importante para o homem atual. Estamos prestes a romper a barreira da evolução seletiva imposta pela natureza, e não muito preparados para enfrentarmos uma evolução genética-cultural, algo entre evolução natural e artificial provocada por nós.

Os hominídeos atuais, numa combinação de ganância e sobrevivência, promovem riscos, com conseqüências graves de todas as ordens que poderão anular as chances de redução dos efeitos devastadores sobre o planeta com o descontrole ambiental.

Como cada hominídeo sobrevive com aquilo que tem e sabe fazer, é de se esperar que muitos bilhões morrerão com as alterações ambientais, aumento do nível do mar, redução das áreas de produção agrícola e aumento da temperatura.

Numericamente somos muitos, a disputar o mesmo planeta com um padrão cultural de ganância e a enfrentar a seleção natural provocada pelas oscilações extremas do clima. Podemos imaginar que serão muitas as ondas migratórias, as alterações ambientais e os desafios de sobrevivência.

Fazendo uma reflexão sobre a nossa parte NEANDERTAL, poderemos mais uma vez estar equivocados na estratégia de sobrevivência, quando em competição com o HOMO SAPIENS acabaram extintos. Provavelmente, fizeram usos equivocados de estratégia de sobrevivência, o que os levou a extinção, logo: muitos hominídeos atuais, agindo como caçadores vorazes em busca da sobrevivência, desprezando a parte racional e lógica, podem caminhar para o mesmo fim.

Na luta entre músculos e cérebro, mas uma coisa é certa, teremos que fazer uma parceria que implique em mudança de comportamento, e isto requer inteligência e não músculo.

Mesmo assim, as dúvidas são muitas, e todas recaem sobre a capacidade de gerenciar e administrar uma evolução gene-cultural mantendo o equilíbrio com ampla riqueza ambiental.

Com tantas incertezas, parece que não somos capazes de parar a evolução artificial a que nos impomos, modificando continuamente o planeta e afetando a seleção natural.

Sabidamente alguns sobreviverão à seleção induzida culturalmente, que mais uma vez não contará com a solidariedade de vizinhos, já que o cenário é de competição, onde não faltará fome, tensões internacionais, terrorismo, instabilidade política, econômica, extinção de grande parte das espécies animais e vegetais.

A novidade é que a seleção ambiental dos hominídeos do futuro será induzida pela tecnologia e cultura humana do presente. Assim poderemos ser capazes de alterar racionalmente o futuro se agirmos de maneira racional o suficiente”.[2]

Poderemos competir com os universos dos micróbios, ou valeria mais a pena alterar o comportamento cultural de esgotar os recursos e seguir adiante?

As respostas a estas questões não passam certamente pela fantasia única de riqueza econômica e desenvolvimento de musculaturas, base do modelo atual capaz de minar qualquer aferição cuidadosa na busca na direção inteligente e realista.

Parece que muitos preferem apostar na estratégia NEANDERTAL, de músculos sobre a inteligência do Homo Sapiens.

Nós Brasileiros, temos um representante da linhagem NEANDERTAL de fazer inveja a qualquer EUROPEU, já que os neandertais se encontram extintos por lá.

Por aqui chegaram com a expansão marítima e proliferaram, aprenderam a ler, escrever e cultivar, agora estão querendo eliminar de vez o HOMO SAPIENS.

"Dominando a política e fazendo projetos de larga destruição."

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[1] Pesquisadores do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology em Leipzig apresentam um primeiro rascunho da seqüência do genoma do Neandertal. (Science, 07 maio de 2010)

[2] Revista Scientific American Brasil – Singularidade Humana e o Futuro – Lawrence M. Krauss – pag 21 junho 2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Loucuras Previsíveis

O Socorro necessário

“Foram depositados em 24 de junho de 2010, "a título de adiantamento", R$ 550 milhões a Pernambuco e Alagoas - R$ 275 milhões para cada -, para serem investidos em alimentação, água, saúde e reconstrução. De janeiro ao dia 16 deste mês, a União liberou R$ 535 milhões para todas as outras tragédias.

O volume é mais de três vezes superior aos R$ 143,7 milhões gastos com prevenção de desastres ambientais ao longo de 2009. Supera ainda em sete vezes os R$ 70,6 milhões liberados este ano com ações preventivas e é quase metade da soma - R$ 1,2 bilhão - que a União despendeu no Brasil inteiro para desastres e reconstrução.
Fonte : www.estadao.com.br

A Loucura Previsível.

Foi na cidade União dos Palmares, conhecida por ser a terra de Zumbi dos Palmares que aconteceu a maior tragédia com as enchentes no Nordeste.


Entre a destruição, mortes e flagelo dos desabrigados, chama a atenção a imagem de tanques de álcool da Usina Laginha, que foram levadas pelas águas e aumentaram a destruição por onde passaram, reproduzindo um cenário de guerra.

As imagens amplamente divulgadas pela mídia, não deixam dúvida de que a ocupação urbana e a localização da USINA, tão próxima do Rio Mundaú eram temerárias, pois encontravam-se em áreas de Preservação Permanente _ APPs.

A usina é de Propriedade de João Lyra empresário do setor sucroalcooleiro, político filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e pai da Thereza Collor.

Foi Deputado Federal pelo estado de Alagoas, Senador Suplente e candidato ao governo do estado de Alagoas.

Na internet, no Wikipédia, é possível acessar sua biografia que menciona:


"Acusado de ter dado os tiros que matou o funcionário público, um ex-policial atribuiu o mando do crime a João Lyra e disse que recebeu R$ 48 mil pelo assassinato.

Não seria o primeiro crime cometido pelo empresário, segundo as acusações do mesmo ex-policial. Ele afirmou que o deputado teria assassinado um sargento que seria amante de sua ex-esposa, no início da década de 90. "


É um cenário de guerra?


As imagens são difíceis de acreditar, tratores retiravam a lama acumulada, cidades destruídas, uma desolação total.


Até os soldados do exército que chegaram para socorrer ficaram espantados, agora ninguém tinha dúvida.

É um cenário de guerra?

Primeiro uma guerra silenciosa, das pessoas construindo a cidade próxima ao rio, depois a chuva e as pessoas sem nada.

Como explicar tanta miséria, tanta destruição?

Alguns acham que tudo não passou de uma lição ou um castigo divino, falta de reza ao padrinho Padre Cícero. Entre histórias, uma coisa é certa a capacidade dos políticos de se colocarem diante de seu próprio ridículo e crueldade.

"Para meus amigos tudo, para meus inimigos, a lei;
se assim não der, acabe com a lei."


É uma Guerra.


O número de desabrigados é grande e a desgraça costuma atrair gente de todo tipo, assim com não poderia deixar de ser, políticos e mais políticos, acreditam ser sempre bom aparecer nessas horas.

O mundo deles não é o mesmo do nosso, sujeito a chuvas e trovoadas; no lugar onde moram, os homens se beneficiam da insensatez, da hipocrisia e sabem manipular
tudo ao seu favor. Conhecem a fundo seus manipulados, suas fantasias e esperanças de querer viver como no comercial da TV.

A fantasia do intervalo da novela, lava a alma e autoriza a esculhambação da vida real do dia seguinte, assim vamos deixando a justiça, as reivindicações para o dia seguinte.

Entre um capítulo e outro, na pressa de chegar em casa, não dá para prestar atenção que a nossa indiferença autoriza a destruição bem articulada pelo descumprimento da lei que protegeria todos da violência das águas.

Mas não, a novela é mais importante, empurramos o dia a dia fazendo vistas grossas com a desgraça dos outros, que por sorte não é a nossa.

Mas não, a novela é mais importante, empurramos o dia a dia fazendo vistas grossas para a ocupação das encostas e das margens ao longo dos rios e córregos.

Como o povo, sempre precisa de tudo, este tudo pode ser o quase nada, e deixam tudo a mercê da sorte até o pior acontecer.

Sabidamente, nesta hora, aparecem oportunistas para tirar proveito do infortúnio dos já desafortunados.

Qual será a cara deles se lhes for perguntado sobre o desdém anterior, previsível, da precaução ambiental e do respeito às leis?

Bem, pelo andar da carruagem, eles, todos, não importa o partido nem crença ou religião, todos, literalmente todos vão ficar quietinhos e deixar as águas baixarem.

Dirão que agora não é um bom momento para se pensar neste assunto e que são muitos desabrigados.

A verdade é: sempre vale a pena arriscar, desafiar o ecossistema pelo “desenvolvimento econômico”.

A verdade é: as catástrofes, assim como as guerras, estimulam a chegada de dinheiro e a construção civil.

Esta prática é antiga, políticos e empreiteiros ficam doidos só de pensar nas verbas depois da desgraça alheia.

A verba, onde e como será aplicada?


Não é um assunto em pauta, o importante que a grana estará disponível e pode alimentar mais uma vez a máquina da insensatez coletiva; o mesmo e velho modelo de urbanização, se é que podemos chamar assim esta ocupação desenfreada das áreas de risco ambiental.

A exclusão de muitos, em benefício de poucos, socorre tudo depois da tragédia, sobretudo políticos em ano eleitoral, “mostra ação e sensibilidade, mas não, ninguém se toca para a falha gerencial", como bem criticou o diretor da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco.

O Sr. João Lira, assim como outros também serão beneficiados.

Com a palavra o relator do projeto de mudança do código Florestal, Sr. Aldo Rebelo e outros que querem alterar uma lei que quase nunca é respeitada, gerando desgraças e mais desgraças, mas que se fosse respeitada evitaria o pior.

Se temos um futuro de incertezas, temos um passado de realidade que a novela e o canavial moderno não mudam, respeito as leis.